Guto estava sentado na janela do quarto de Cadu. Decidi chegar de mansinho para assustá-lo, mas fui surpreendida:
_ Acha mesmo que vai conseguir me assustar? E se conseguisse, era capaz de eu cair e isso não teria graça.
_ Era só você sair voando e nada de ruim iria acontecer.
Guto saiu da janela, sentou-se na cama e me olhou com um ar de reprovação:
_ Acha mesmo que minhas asas aparecem assim do nada? Precisa aprender muita coisa ainda.
_ Então me ensine!
_ Há somente uma situação onde um anjo pode usar suas asas. Quando precisa ajudar seu protegido.
_ Entendo. Mas e aquele dia? Não estávamos nem mesmo perto de Cadu. Como explica o fato delas terem aparecido?
_ Elas somente apareceram, não as usei. Mas aquela foi uma situação inusitada. Normalmente, as asas só aparecem quando precisamos usá-las. Além de que permanecer com elas por muito tempo diminui o poder de interferência.
_ Poder de interferência? Como assim?
_ A tentativa de se comunicar com seu protegido dando-lhe pressentimentos. Esse é o poder de interferência.
_ Compreendo. E você já usou suas asas?
_ Somente uma vez.
_ Cadu estava em perigo tão grave assim?
_ Não. Eu as usei quando tentei te proteger, pois precisava ser rápido ou seria tarde demais, mas eu não consegui ser rápido o suficiente.
Guto levantou-se, respirou fundo e voltou a se sentar na janela.
Sem ter o que falar, saí do quarto e fui até a sala. Cadu estava sentado no sofá. A televisão estava fora do ar, mas parecia que ele nem havia percebido. Nunca o tinha visto assim antes. Sentei-me ao seu lado e ficamos alí a tarde toda até que ele se levantou e voltou para o quarto. Seguí-o e vi que Guto continuava na janela:
_ Estava interessante o que assistiam?
_ A televisão estava fora do ar.
_ Eu sei, mas vocês ficaram tanto tempo olhando para ela. Pensei que isso fosse interessante.
_ Não seja bobo!
_ Não vá me dizer que se tornaram zumbis e aquilo era um tipo de hipnose ou algo parecido.
_ Quer que eu te empurre da janela?
Ele parou com as brincadeiras e começou a descer pela escada. Comecei a seguí-lo:
_ Onde você vai?
_ Por que está me seguindo? Fique aí com Cadu.
_ Mas ele já se deitou e logo vai dormir.
_ Mesmo assim. Fique aí!
_ Não pense que manda em mim.
Ele passou pelo portão, começou a correr pela rua e gritava que eu não o devia seguir. Exitei por um momento e me escondi atrás de uma árvore sem ele perceber. Logo após comecei a seguí-lo.
Chegamos à praça, ele parou e gritou:
_ Pensa que não sei que está me seguindo?
_ Por que veio até aqui novamente?
Aproximei-me dele e pude ver Aninha sentada num banco. Olhei para Guto e ele estava triste.
A surpresa foi imensa. O que me restava fazer era sair daquele lugar e deixar Guto perto de sua grande paixão e, também, minha melhor amiga: Ana Duarte Medeiros.
Durante a volta pensei na infelicidade que eu havia causado a ele e, também, no fato de Aninha ter sido sempre apaixonada por Paulo.
O amor de Guto era duplamente impossível, pois agora ela tinha chance de se aproximar de Paulo. Estava explicado o porquê de seu grande sofrimento.
Subi a escada e fiquei sentada na janela. A noite estava incrivelmente bela. As estrelas brilhavam mais que nunca ou era eu que nunca havia parado tempo suficiente para adimirá-las.
Perceber que o tempo já não é limitado, que se tem a eternidade para viver é algo assustador e bom ao mesmo tempo.
Lembrei-me de Guto e seu novo destino. Qual será sua punição?
Mais perguntas me vieram à cabeça. Dentre elas, o que haveria acontecido com meu anjo e qual seria o lendário quinto destino?
Precisava começar a investigar, mas o único meio de descobrir seria perguntando a Guto e ele, com certeza, falaria que não devo querer saber sobre isso, que devo esquecer meu anjo.
Perdida em meus pensamentos não percebi que Guto estava subindo pela escada. Com o susto caí da janela. Ele começou a rir:
_ Pensei que estava fingindo que não me viu. A sua expressão de pensadora faz qualquer um pensar que você realmente pensa.
_ Não seja idiota! Como ia perceber que você já tinha voltado? Além do mais, por que já voltou?
_ E por que me deixou sozinho lá?
_ Mas você mesmo disse que não era para seguí-lo.
_ E você me seguiu mesmo assim, mas sumiu como se tivesse visto uma assombração.
_ Não me assusto quando vejo você!
_ Sabe que suas piadas geralmente não têm graça?
Até aquele momento eu continuava caída no chão. Guto me estendeu sua mão para ajudar a me levantar, mas recusei sua ajuda:
_ Obrigada, mas consigo me levantar sozinha.
Ele fez um sinal de reprovação com a cabeça:
_ Tudo bem. E só uma coisa: não me faça perguntas sobre o porquê de eu ir à praça.
_ Não sou curiosa.
Não precisava perguntar algo do qual já sei a resposta, afinal era óbvio, pois Aninha era amiga de Cadu e muitas vezes saímos juntos. Só podia ser ela.
Quanto ao lendário quinto destino, deixaria minha curiosidade durar mais algum tempo.
_ Acha mesmo que vai conseguir me assustar? E se conseguisse, era capaz de eu cair e isso não teria graça.
_ Era só você sair voando e nada de ruim iria acontecer.
Guto saiu da janela, sentou-se na cama e me olhou com um ar de reprovação:
_ Acha mesmo que minhas asas aparecem assim do nada? Precisa aprender muita coisa ainda.
_ Então me ensine!
_ Há somente uma situação onde um anjo pode usar suas asas. Quando precisa ajudar seu protegido.
_ Entendo. Mas e aquele dia? Não estávamos nem mesmo perto de Cadu. Como explica o fato delas terem aparecido?
_ Elas somente apareceram, não as usei. Mas aquela foi uma situação inusitada. Normalmente, as asas só aparecem quando precisamos usá-las. Além de que permanecer com elas por muito tempo diminui o poder de interferência.
_ Poder de interferência? Como assim?
_ A tentativa de se comunicar com seu protegido dando-lhe pressentimentos. Esse é o poder de interferência.
_ Compreendo. E você já usou suas asas?
_ Somente uma vez.
_ Cadu estava em perigo tão grave assim?
_ Não. Eu as usei quando tentei te proteger, pois precisava ser rápido ou seria tarde demais, mas eu não consegui ser rápido o suficiente.
Guto levantou-se, respirou fundo e voltou a se sentar na janela.
Sem ter o que falar, saí do quarto e fui até a sala. Cadu estava sentado no sofá. A televisão estava fora do ar, mas parecia que ele nem havia percebido. Nunca o tinha visto assim antes. Sentei-me ao seu lado e ficamos alí a tarde toda até que ele se levantou e voltou para o quarto. Seguí-o e vi que Guto continuava na janela:
_ Estava interessante o que assistiam?
_ A televisão estava fora do ar.
_ Eu sei, mas vocês ficaram tanto tempo olhando para ela. Pensei que isso fosse interessante.
_ Não seja bobo!
_ Não vá me dizer que se tornaram zumbis e aquilo era um tipo de hipnose ou algo parecido.
_ Quer que eu te empurre da janela?
Ele parou com as brincadeiras e começou a descer pela escada. Comecei a seguí-lo:
_ Onde você vai?
_ Por que está me seguindo? Fique aí com Cadu.
_ Mas ele já se deitou e logo vai dormir.
_ Mesmo assim. Fique aí!
_ Não pense que manda em mim.
Ele passou pelo portão, começou a correr pela rua e gritava que eu não o devia seguir. Exitei por um momento e me escondi atrás de uma árvore sem ele perceber. Logo após comecei a seguí-lo.
Chegamos à praça, ele parou e gritou:
_ Pensa que não sei que está me seguindo?
_ Por que veio até aqui novamente?
Aproximei-me dele e pude ver Aninha sentada num banco. Olhei para Guto e ele estava triste.
A surpresa foi imensa. O que me restava fazer era sair daquele lugar e deixar Guto perto de sua grande paixão e, também, minha melhor amiga: Ana Duarte Medeiros.
Durante a volta pensei na infelicidade que eu havia causado a ele e, também, no fato de Aninha ter sido sempre apaixonada por Paulo.
O amor de Guto era duplamente impossível, pois agora ela tinha chance de se aproximar de Paulo. Estava explicado o porquê de seu grande sofrimento.
Subi a escada e fiquei sentada na janela. A noite estava incrivelmente bela. As estrelas brilhavam mais que nunca ou era eu que nunca havia parado tempo suficiente para adimirá-las.
Perceber que o tempo já não é limitado, que se tem a eternidade para viver é algo assustador e bom ao mesmo tempo.
Lembrei-me de Guto e seu novo destino. Qual será sua punição?
Mais perguntas me vieram à cabeça. Dentre elas, o que haveria acontecido com meu anjo e qual seria o lendário quinto destino?
Precisava começar a investigar, mas o único meio de descobrir seria perguntando a Guto e ele, com certeza, falaria que não devo querer saber sobre isso, que devo esquecer meu anjo.
Perdida em meus pensamentos não percebi que Guto estava subindo pela escada. Com o susto caí da janela. Ele começou a rir:
_ Pensei que estava fingindo que não me viu. A sua expressão de pensadora faz qualquer um pensar que você realmente pensa.
_ Não seja idiota! Como ia perceber que você já tinha voltado? Além do mais, por que já voltou?
_ E por que me deixou sozinho lá?
_ Mas você mesmo disse que não era para seguí-lo.
_ E você me seguiu mesmo assim, mas sumiu como se tivesse visto uma assombração.
_ Não me assusto quando vejo você!
_ Sabe que suas piadas geralmente não têm graça?
Até aquele momento eu continuava caída no chão. Guto me estendeu sua mão para ajudar a me levantar, mas recusei sua ajuda:
_ Obrigada, mas consigo me levantar sozinha.
Ele fez um sinal de reprovação com a cabeça:
_ Tudo bem. E só uma coisa: não me faça perguntas sobre o porquê de eu ir à praça.
_ Não sou curiosa.
Não precisava perguntar algo do qual já sei a resposta, afinal era óbvio, pois Aninha era amiga de Cadu e muitas vezes saímos juntos. Só podia ser ela.
Quanto ao lendário quinto destino, deixaria minha curiosidade durar mais algum tempo.
Um comentário:
Quando a gente começa a gostar... acaba ¬¬
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