quinta-feira, 26 de junho de 2008

Capítulo 8

Era de manhã quando Maria Fernanda apareceu para visitar Cadu. Como sempre, estava toda arrumada como se fosse uma modelo prestes a entrar na passarela.

Nunca nos demos bem, principalmente, depois que descobri que ela também gostava do Cadu. Por isso, achei estranho o fato dela ter se casado com o Paulo, mas casamento sem amor está fundado ao fracasso, pois mesmo casada ela continuava gostando do Cadu.

E ela querendo visitar Cadu era uma afronta a mim. Mal eu havia morrido e ela estava prestes a tentar jogar todo seu charme para conquistá-lo.

Fiquei revoltada e, ao mesmo tempo, feliz, porque sabia que Cadu não ia se render aos encantos dela, pois se fosse assim, ele já teria se apaixonado por ela há muito tempo.

A senhora Virgínia a atendeu e pediu para que voltasse outro dia:

_ Ele não quer ver ninguém. Ficou bravo outro dia, quando deixei Paulo entrar.

Maria Fernada se assustou:

_ Paulo esteve aqui?

_ Sim! Cadu nem conversou com ele, trancou-se no quarto. Depois pediu para que eu não deixasse mais ninguém visitá-lo.

O susto dela foi o mesmo que o meu. Paulo e Cadu nunca foram amigos, por conta da história de Paulo gostar da Maria Fernanda e ela gostar do Cadu.

Guto riu:

_ Foi extraordinária a cara que Paulo fez quando Cadu bateu a porta do quarto. Dei muita risada nesse dia.

_ É estranho ele ter vindo visitá-lo. Nunca foram amigos.

Guto fez uma cara de pensativo:

_ Pensando bem, não entendi esse interesse repentino de Paulo em visitar seu grande rival.
Ainda mais, depois da briga da semana anterior a sua morte.

_ Briga? Que briga?

_ Muitas coisas aconteceram, Duda! Muitas coisas!

_ Então me diga!

_ Paulo veio tirar satisfação com Cadu, depois de Maria Fernanda ter jogado em sua cara, que havia se divorciado para tentar conquistá-lo. Tiveram uma discução feia e só não se bateram porque Bia começou a chorar.

_ Que horror!

_ Paulo gritava e queria respostas de porque Maria Fernanda se sentia tão confiante a esta altura dos acontecimentos. Ele queria saber se Cadu havia lhe dado esperanças.

_ E o que Cadu respondeu?

_ Gritou que gostava de você e que nunca ficaria com Maria Fernanda. Depois disso Paulo foi embora.

_ Ele disse isso?

Guto irônico:

_ Poderia ter sido uma desculpa para não apanhar.

_ Bobo! Sei que não foi uma desculpa. Ainda mais que Cadu nunca fugiria de uma briga. Mesmo sendo mais fraco que Paulo, o orgulho de Cadu é muito grande.

_ Eu sei! Eu sei! Foi só uma brincadeira.

_ O que é estranho é o fato dele ter vindo visitá-lo depois que morri. Será que se arrependeu ou algo assim?

_ Essa é uma boa pergunta, da qual não sei a resposta.

_ Outra coisa que me incomoda é a confiança de Maria Fernanda. Por que ela se divorciou de Paulo se não tem chances com Cadu? Ou será que tem?

_ Você mesma devia saber essa resposta. Nunca subestime uma mulher apaixonada. Ela é capaz de tudo para conseguir o que quer.

Senti um tremor horrível depois do que Guto disse. Ela seria capaz de tudo para conquistar Cadu, inclusive eliminar o único e grande obstáculo: eu.

Não podia ser! Será que Maria Fernanda chegaria a esse extremo?

Paulo podia ter descoberto e vindo contar a Cadu. Não! Isso é besteira! Tem que ser!

Guto preocupado:

_ O que foi, Duda? Por que está com essa expressão de terror?

_ Nada! Alguns pensamentos bestas me passaram pela cabeça, mas nada demais.

_ Pensamentos bestas?

_ Deixe pra lá.

_ Mas...

_ Quem me matou?

Guto fez uma cara de espanto:

_ Nossa! Que pergunta repentina!

_ Responda! Você deve saber quem foi, pois do contrário não teria tentado me proteger.

_ Duda, esse assunto é delicado.

_ Claro que é delicado! Trata-se da minha morte!

_ Não posso dizer, sinto muito.

_ Como não? Por quê?

_ Uma das regras é não contar o nome de seu assassino a um espírito, se ele não souber. O espírito poderia ter sede de vingança e isso traria muitas complicações.

_ Mas isso não é justo! Eu tenho o direito de saber!

_ Por favor, não insista!

_ Você já infringiu as regras antes! Por que não pode novamente?

Guto gritou agustiadamente:

_ Porque isso já custou a minha felicidade!

Comecei a chorar e ele me abraçou:

_ Não queira saber quem foi. É melhor não saber.

_ Por que tudo isso aconteceu? Por que eu tive que morrer? Por quê?

_ Não sei a resposta para suas perguntas.

Ajoelhei-me no chão e olhei para Guto:

_ E por que eu tive que destruir a sua felicidade?

_ Não se culpe! Fiz as minhas escolhas! O único culpado sou eu mesmo e não me arrependo. Se tivesse como voltar no tempo, eu faria tudo isso novamente.

O sentimento de gratidão tomou o lugar da rebeldia em mim. Eu já não podia fazer mais nada, a não ser me conformar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Acho q não foi a Maria Fernanda q matou a Duda :p
mto óbvio :S