quinta-feira, 19 de junho de 2008

Capítulo 7

Corri em direção ao lugar onde Guto estava caído. Não havia nenhum sinal das asas que, há pouco, haviam aparecido. Ele continuava chorando e se recusava a levantar:

_ Vá para a casa de Cadu! Ele acordou. Vá! Deixe-me sozinho!

Discutir com ele seria uma pésssima idéia, então segui sua ordem.

No caminho de volta, tive tempo o suficiente para imaginar o porquê de Guto ter se aproximado tanto, e a única resposta que obtive foi de que ele se confundiu, que o amor que tem por essa moça o fez enxergá-la em mim.

A chuva estava passando e, quando cheguei na casa de Cadu, vi-o sentado na calçada todo molhado. Ele olhava para o céu. Sentei ao seu lado e comecei a adimirar a lua que havia reaparecido por detrás das nuvens.

Os acontecimentos recentes me fizeram refletir sobre muitas coisas. O que eu havia feito enquanto viva e o que eu teria que fazer enquanto anjo. Nesse ponto me surgiu uma dúvida: e aquelas asas?

Fiquei tão espantada com a grandiosidade daquelas asas. Quando Guto voltasse, eu perguntaria se também as tenho.

A senhora Virgínia chamou Cadu e ele entrou. Passou pela sala, parou, olhou para Beatriz, que dormia no sofá, murmurou um pedido de perdão para a irmã e foi para o quarto. Pegou a toalha que a mãe havia deixado sobre a cama e entrou no banheiro. Tirou os sapatos, a camisa, a calça. Era a primeira vez que o via somente de cueca. Já o havia visto de sunga na piscina, então era parecido. Mas ele estava prestes a ficar nu e eu não sabia o que fazer.

_ Tem certeza de que quer vê-lo pelado?

Levei um susto com a presença repentina de Guto, que estava sentado na janela:

_ Quer mesmo vê-lo sem roupas?

Fiquei sem jeito:

_ Não...

_ Então saia daí e venha para perto da janela. Ele costuma trancar a porta do quarto, por isso deixa a porta do banheiro aberta. Se continuar aí já sabe!

Saí de perto da porta do banheiro:

_ E você? Está melhor?

Guto olhou para o lado de fora e apontou em direção à lua:

_ As nunvens saíram da frente e ela voltou a brilhar. Vê? Ela está linda.

Cheguei mais perto de Guto para poder ver a lua. Ele aproximou sua mão de meu rosto:

_ Só não é mais linda que você!

_ Não desconverse! O que aconteceu agora há pouco? Aquelas asas?

_ Asas de anjo! Todos têm. Você também deve ter.

_ Anjos têm asas?

Guto, rindo ironicamente:

_ Não! Só os pássaros! Aquilo era fruto de sua imaginção.

_ Se eu tenho, como faço para que apareçam?

_ Não se jogue pela janela tentando voar, pensando que elas aparecerão. Com o tempo você descobrirá como fazer com que apareçam.

_ E aquela luz?

_ Que luz?

_ A luz que te envolveu depois que suas asas apareceram.

_ Luz? Deve ter sido a iluminação de algum raio.

_ Não era iluminação de raio nem de nenhuma lâmpada da praça. Era uma luz que erradiava de você.

_ Duda, você está imaginando coisas. Não havia nenhuma luz. Eu não sou o sol para ter luz própria.

_ Mas...

_ Mas nada! Melhor fechar os olhos, pois Cadu está como veio ao mundo.

Dei um grito e tapei os olhos com as mãos. Guto ria:

_ Deve estar olhando por entre as frestas dos seus dedos.

_ Nem estou olhando na direção de Cadu. Estou olhando para você!

_ Pode olhar, ele já está com a calça do pijama.

_ E o grito?

_ Ninguém pode te ouvir. Não se preocupe.

_ Não o meu, mas o seu grito. O que você não podia fazer? Não podia me confundir com a garota de quem você gosta? É isso?

Guto desceu pela escada que estava ao lado da janela. O sobrado não era alto, mas a escada ultrapassava a altura do telhado. Desci logo após. Guto sentou-se no mesmo lugar onde Cadu estava minutos atrás. Ele olhava para a lua:

_ Não sei o que me aconteceu naquela hora nem porque fiz tudo aquilo. Desculpe-me se te assustei.

_ Não foi nada. Você parecia estar sofrendo.

_ Eu sempre estou sofrendo, Duda. Sempre.

Aproximei-me dele e olhei para a lua:

_ Dizem que ela também sofre.

_ Ela?

_ A lua! Ela sofre, pois é apaixonada pelo sol, o qual nunca poderá encontrar. É um amor impossível.

_ Igual ao meu amor.

_ Sim. E igual ao meu amor por Cadu, pois tornou-se impossível.

_ Sofremos como a lua.

_ Não. A lua está sozinha, pois mesmo entre tantas estrelas, é como se ela estivesse no meio de uma multidão, sem ninguém que conheça. E nós temos a amizade um do outro.

_ Amizade?

_ Claro! Somos amigos, não somos?

Guto sorriu:

_ Somos.

2 comentários:

Anônimo disse...

ohh q lindo..q meigo..q fofo.. q burra nussa..prq ela não olhou :S
se eu fosse anjo ia querer ver tudo XD
hauahuahauahauahuahu

Anônimo disse...

Como ela é burra...
Até eu sou mais esperta...
Eles são só amigos... ¬¬'