quinta-feira, 22 de maio de 2008

Capítulo 3

Levei minha vida inteira, não que tenha sido longa, pois sou jovem, para me declarar e quando estou prestes a fazer isso, levo um tiro. Depois tenho ele na minha frente dizendo que sempre me amou e que iríamos ser felizes e isso acontece. É revoltante!

Lembro-me da apresentação e acho a situação engraçada. Sim, engraçada! Muitos pensaram que o sangue era algo da cena, mas um grande tumulto ocorreu quando Cadu começou a gritar pra que chamassem uma ambulância.

Cirurgia, espera, angústia, recobrei minha consciência, ele se declarou e eu morri. Já disse que isso é revoltante?

Até esse momento, falei da minha vida e não me apresentei. Agora que vou falar da minha morte devo dizer meu nome: Maria Eduarda Andrade. Sim! Minha morte, não como ela ocorreu, pois já falei como foi, mas do que acontece depois, um tipo de vida pós morte. Quanto ao meu nome ser um tanto parecido com o de Cadu, só poderia ser força do destino. Por quê? Explicarei mais tarde.

Não caminhei em direção à luz nem acordei no paraíso, simplesmente continuei alí. Geralmente os mortos ficam alguns dias entre os vivos até conseguirem entender o que aconteceu realmente, ou seja, até compreenderem que estão mortos.

Não somos fantasmas, esse termo é utilizado para pessoas que não entendem que já morreram e pensam que ainda estão vivas. Somos simplesmente espíritos. Não atravessamos paredes e ninguém pode nos ver, mas podem nos sentir. São os famosos arrepios na espinha. Conversamos com outros espíritos e passamos a saber o segredo da vida. É algo que os vivos jamais compreenderiam, apesar da simplicidade. Uma resposta para as milhares de perguntas que fazemos a nós mesmos durante a vida.

Não suportei ficar alí vendo Cadu chorar, então fui para meu refúgio. Um banco, numa praça de frente para uma grande árvore. O lugar onde nos conhecemos, onde eu gravei meu nome e futuramente eu gravaria o nome de Cadu, mas acho que isso não acontecerá.

Fiquei dois dias naquele lugar, vendo as pessoas que passavam, até que algúem se aproximou:

_ Vai continuar sentada aí?

Fiquei parada, pois ele só poderia estar falando com outra pessoa, afinal eu era um espírito.

_ Não vai me responder Maria Eduarda?

Me espantei. Como alguém podia estar me vendo e saber meu nome?

_ Só porque está morta acha que tem todo o tempo do mundo?

_ Quem é você? Como sabe meu nome? Como pode me ver?

_ Calma! Uma pergunta de cada vez. Meu nome é Gustavo, sempre estive te observando.

_ Sempre?

_ Sim. Não acredito que não escutou meus conselhos e foi para aquela apresentação.

_ Hã?

_ Eu sabia o que aconteceria e te aconselhei a não ir, mas você não se importou, só estava pensando nele e esqueceu de pensar em si mesma.

_ Como assim? Aconselhou? Isso não é possível!

_ Claro que é possível. Você teve um mal pressentimento e mesmo assim foi se declarar para ele.

_ Como sabe disso?

_ Eu já disse! Estive te observando o tempo todo e tentei te ajudar. Agora se apresse, a reunião está para começar.

_ Reunião?

_ Acha que vai ficar aqui por toda a eternidade? Você está morta, mas não quer dizer que sua missão acabou.

_ Missão?

_ Pare de me fazer perguntas! Você descobrirá tudo, então se apresse.

Fui meio que teletransportada para uma outra dimensão. Isso parece ficção científica, mas é o que acontece. É uma espécie de mundo paralelo. Nesse lugar, há um espírito chefe que entrevista e faz uma pesquisa sobre a vida de cada um de nós. Muito estudo, muita conversa, muita espera. Depois nos resta apenas quatro destinos.

O primeiro é o céu. Simplesmente o lugar perfeito com que muitos sonham durante a vida. É o paraíso sem sombra de dúvidas. Não sei como é, pois não conheço. Sei que é um lugar ótimo devido aos comentários dos outros espíritos.

O segundo é o inferno, que é continuar vivendo entre os vivos sem poder se comunicar com outros espíritos, sem poder interferir em nada. É um tipo de castigo, mas não é eterno. São avaliadas as ações e segundo o resultado de uma conta, que eu não entendi, chega-se a um determinado número de anos que o espírito deve ficar na Terra. Após cumprida essa espécie de pena, são reavaliados e podem ser encaminhados a um dos outros destinos, até mesmo o inferno novamente.

O terceiro destino é o CREM, Centro de Reabilitação para Espíritos Maus. A primeira vez que ouvi esse nome achei um tanto engraçado e pensei que pudesse ser uma brincadeira, mas é a mais pura verdade. Há espíritos que cometeram coisas más durante a vida, mas não são punidos com o inferno e ganham a oportunidade de se redimirem e irem para o céu. São os que fizeram coisas não tão ruins.

Sobre o último destino é de que terão mais conhecimento, pois foi o meu.

2 comentários:

Unknown disse...

Confesso que agora o drama parece ficar mais interessante, e maldita hora que eu te falei dessa história de deixar gancho! rs

E vê se posta logo o Capítulo IV!

Bju para ti Silvinha Emo
inté mais tarde!

Anônimo disse...

Ela morreu mesmo :O