quinta-feira, 15 de maio de 2008

Capítulo 2

Fui levada para a clínica da família de Cadu, que fica a dois quarteirões do lugar da apresentação, pois levei um tiro pelas costas que atravessou e foi parar no piano, sem nem raspar no Cadu.

Não sei muito sobre armas, mas havia um silenciador, pois somente isso explica o fato de ninguém ter ouvido o disparo.

Nunca acreditei quando ouvia comentários de como uma vida toda passa diante dos olhos, mas depois de levar um tiro e ver que minha existência estava por um fio, comecei a lembrar de todos os fatos importantes. Na maioria deles, Cadu estava presente.

Recordei-me da minha festa de quinze anos, que minha mãe me obrigou a fazer. Eu queria uma festa simples, sem grandes detalhes. Mas o sonho que minha mãe não havia realizado, eu deveria realizá-lo. Uma festa de debutante com tudo que havia direito. A decoração, que havia ficado a cargo de minha mãe, estava impecável. O sorriso constante, durante o preparo da festa, era mais que suficiente para que eu visse que ela estava feliz.

Cadu estava de fraque e na hora da valsa disse que eu parecia uma princesa. Achei aquele elogio a coisa mais maravilhosa do mundo, até que ele continuou:

_ Você está parecendo uma princesinha, mas não pode abrir a boca, pois acabará com o conto de fadas.

Fiquei revoltada e ele continuou:

_ Se você falar qualquer coisa, por mais educada que seja, o conto de fadas acabará, pois você é uma gata borralheira.

_ Gata borralheira? O que quer dizer com isso?

_ Que você não é uma princesa de verdade, mas é gata.

Ele riu, como se o que havia dito não fosse um elogio, mas um simples trocadilho.

_ E o que está fazendo aqui, dançando com a gata borralheira? Vá procurar uma princesa!

_ Princesas são muito chatas, com toda aquela perfeição. Prefiro as esquentadinhas como você.

Naquele momento, fiquei vermelha e o abracei para que não pudesse ver minha reação.

_ Eu disse que prefiro as esquentadinhas, mas não disse que te amo. Por que está me abraçando?

Ele tentou ver meu rosto, mas não podia deixar que visse, ainda mais depois do que havia dito, então saí de perto dele.

_ Volte aqui Duda! É só uma brincadeira!

Puxou-me pelo braço e num abraço forte:

_ Somos amigos desde que me conheço por gente. Não quero que nada acabe com essa amizade. Você é como se fosse uma irmã para mim.

Aquilo era a última coisa que queria ouvir naquele momento. Ser considerada como melhor amiga sim, mas irmã acabava com qualquer esperança minha.

Pude ouvir o choro de meus pais enquanto conversavam com o médico. A seriedade tomou o lugar da lágrimas no rosto de Cadu. Eu não podia me mexer e um sentimento horrível tomou conta de mim. O médico poderia estar dizendo que eu não poderia mais andar ou que eu passaria por outra cirurgia, talvez mais grave, com sérios riscos.

Já havia se passado uma semana e meu estado não havia melhorado.

Numa noite, tive um pesadelo terrível. Eu falava com o Cadu, mas ele não me respondia. Era como se ele não pudesse me ouvir nem me ver. Eu gritava seu nome, querendo avisá-lo que algo de ruim aconteceria. Acordei e gritei o nome dele.

Ele, que estava ao lado da cama, se surpreendeu, pois, após uma semana deitada, sem nenhuma reação, somente com os olhos abertos, eu estava sentada na cama e gritando. Deu-me um abraço e pediu para que eu me acalmasse.

_ Duda! Você está bem! Tudo vai voltar ao normal! Nós, ainda, vamos nos casar, ter filhos! Seremos felizes! Eu te amo!

Ele estava alí, na minha frente, chorando e dizendo que me amava. Era o momento pelo qual eu havia esperado por tanto tempo.

_ Eu sempre te amei, mas nunca tive coragem de me declarar. E agora, quando quase te perdi, vi o quanto idiota eu fui.

Algo estranho aconteceu, senti como se eu estivesse saindo do meu corpo. Enxuguei as lágrimas de Cadu e com a mão em seu rosto disse:

_ Obrigada por me fazer feliz durante todos esses anos e mais ainda nesse momento. Eu também te amo, mas...

_ Mas o que? Duda! Fale comigo! Duda!

_ Desculpe. Prometo que farei de tudo para que seja feliz. Essa é minha promessa!

Cadu, chorando, me abraçou e todos na clínica puderam ouvir seu grito angustiante:

_ Não!

6 comentários:

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk...
ai ai... isso tah ficando engraçado
hauahuaahuaahauahau
e agora o q aconteceu coma a Duda?
:O

Anônimo disse...

Ahhh...
prq "A minha amiga é um anjo"??
XD

Anônimo disse...

nussa fiquei tão EMOcionada com a história q escrevi errado

"e agora o q aconteceu COM a Duda?"

agora tah certo XD

hauahauahau

Anônimo disse...

Silviaaa...
Num dá pra postah pelo menos uns 10 capítulos de cada vez??
Um só é mto pouco!!! ¬¬'
Ficar na curiosidade me stressa...

Unknown disse...

Silvinha Emo deveria ter esperado um poquinho mais pra ele se declarar, fazer aqueles desencontros amorosos! Agora já foi! rs

Tem que colocar mais gente na história, pra que nós leitores pensar um pouco mais ao longo dos capítulos! Faz uma bagunça tipo Jorge Amado, como ele fez em Gabriela, Cravo e Canela! Umas cinco cidades, uns 100, 120 personagens rs...
Que exagero ! Não me leve ao pé da letra, mas confesso que estou curioso para acompanhar essa blognovela.

Bju

Anônimo disse...

Sil, você tem tendências sociopatas e uma veia dramática! hahahaha
Bjs