Tudo começou quando, numa tarde, resolvi contar ao Carlos Eduardo que eu era apaixonada por ele. Eu sabia que ele iria ao evento Música & Arte, pois ele não seria louco de desperdiçar a oportunidade de rever seus amigos do colegial.
Comecei fazendo uma tremenda bagunça no meu quarto. Revirei meu guarda roupa, fiz mil combinações possíveis de roupas e sapatos. Acabei decidindo pela blusa verde estampada com um anjinho, que eu havia comprado durante a última viagem que fiz com o Cadu.
Realmente é intrigante sair com amigos de infância para fazer compras. Um namorado certamente falaria que qualquer roupa que eu vestisse teria ficado bem, mesmo que fosse aquela blusinha rosa choque cheia de lantejoulas douradas, com miçangas coloridas. Tudo bem se fosse para uma festa a fantasia ou estivéssemos na época do Carnaval. Mas o Cadu parecia um fresco falando qual cor combinaria com meus olhos. Ele realmente é insuportável na hora de escolher uma roupa, pior que mulher quando só pode comprar uma peça e faz a vendedora mostrar cada blusinha que existe na loja e acaba por não levar nenhuma. Se eu fosse uma vendedora e ele fizesse isso comigo acho que virava um tapa na cara dele, mesmo com o risco de perder o emprego.
A blusa verde, a saia jeans, a sandália de tirinhas, o colar com pingente de esmeralda que ganhei de uma amiga. Arrumei o cabelo, soltei a franja. Falando em franja, eu jamais a deixo solta, sempre prendo com alguma presilha ou arco, mas nesse dia eu tinha que ir do jeito que ele acha que fico bonita.
Cheguei ao lugar um pouco atrasada. A banda do Paulinho estava se apresentando. Eles continuam tocando aquela música que ele fez pra Maria Fernanda, quando decidiu pedí-la em namoro. Uns tempos atrás descobri que eles se divorciaram. Nem sabia que tinham se casado.
Ele estava lá, lindo como sempre, com seu sorriso simpático que me cativa. Atravessei por meio da multidão na frente do palco e cheguei ao barzinho. Pedi um refrigerante e fiz de conta que não o vi.
_ Você devia pedir um diet!
_ E você deveria fazer academia! Engordou desde a última vez que te vi.
_ Engordei? Você é louca ou o que? Estou o mesmo de sempre. A Maria Fernanda até me disse que emagreci.
Fiquei sem ter o que falar. Realmente ele estava mais magro e eu brinquei dizendo que ele estava gordo, mas, como sempre, brincadeiras relativas ao físico dele, ele sempre levaria a sério.
Terminei meu refrigerante sem dizer nada a ele, me virei e fui conversar com a Aninha. Percebi que ele ficou com uma cara de susto em frente ao fato de tê-lo ignorado, mas fingi que nem me importava.
Sempre parecemos gato e rato, com nossas brigas freqüentes. Quando éramos adolescentes, ele me jogou dentro da piscina que havia na antiga casa dele. Ele não acreditava que eu não sabia nadar e quase teve um treco quando percebeu que eu não sabia mesmo. Minha vontade era de matá-lo, mas a única coisa que eu podia fazer era tossir, porque engoli muita água.
_ Vou fazer respiração boca a boca!
_ Jamais! Morro afogada, mas não deixo você me beijar.
_ Beijar? Quem aqui falou em beijar?
_ Conheço muito bem o senhor Carlos Eduardo Dantas!
_ Que morra então!
Levantei, dei um chute na canela dele, saí correndo e gritando:
_ Se eu morrer algum dia, você vai sentir minha falta senhor Carlos Eduardo! Serei obrigada a ficar aqui te assombrando.
_ Se você morrer eu danço em cima do seu caixão!
E, depois desse ocorrido, ficamos um mês sem nos falar.
Dessa vez, Cadu, preocupado, veio em minha direção dizendo que não se importava de ser ignorado. Ficou com uma cara triste.
Sempre foi uma doçura de pessoa quando sabia que estava errado, fazendo caras e bocas para conseguir arrancar um perdão meu.
_ Tudo bem! Você não está gordo nem eu preciso de refrigerante diet.
_ Light!
_ Você não tem jeito mesmo.
Ele abriu aquele sorriso que me deixa sem jeito.
_ Você trouxe um vestido vermelho?
Eu realmente havia me esquecido que Cadu havia conseguido me convencer de me apresentar com ele.
_ Eu sabia que você não se lembraria, cabeça de vento como você é, então trouxe este da minha irmã.
_ Cabeço de vento é você! Trouxe as rosas?
_ A champagne também!
_ O senhor está mudando! Não se esquece mais de suas responsabilidades. Mamãe deve estar orgulhosa.
_ A sua deve estar decepcionada.
Não sabia o que falar e mostrei a língua pra ele.
_ A mesma criança de sempre. Está com essas roupas de mulher, mas se comporta como uma menina de sete anos de idade.
Fiz uma careta, peguei o vestido e fui para o banheiro me trocar.
O salão estava cheio e senti um frio na barriga quando espiei e percebi o silêncio do público esperando que a apresentação começasse.
Peguei o rascunho e li pela última vez:
“Cena: um vestido vermelho, um salão, um piano, rosas, champanhe, uma discussão, barulho de chuva. Antes de ela sair, ele põe as rosas sobre a mesa, toma um pouco de champanhe enquanto afrouxa a gravata, caminha em direção ao piano. Ela escuta os passos que se distanciam em vez de estarem indo atrás dela, então ela pára. Uma música começa a tocar no piano. Não há mais ninguém no salão. Ela, na verdade, não quer ir embora. Ele percebe que ela ainda está lá e continua tocando. Ela começa a cantar, se vira e atravessa o salão, indo em direção ao piano. Uma troca de olhares. A música termina, ele se levanta, ela se vira, uma nova troca de olhares, toque das mãos, sorrisos, a aproximação, ele a toma em seus braços, olhos fechados e... a luz se apaga.”
Decidi que no momento em que as luzes fossem apagadas eu o beijaria e me declararia finalmente.
A apresentação ia começar e estava terminando de me ajeitar quando Aninha me empurrou para o palco. Fiquei espantada com o figurino de Cadu, todo arrumadinho com o terno que era de seu pai. A cena se prosseguiu e quando as luzes se apagaram, a platéia gritou que queria ver a cena do beijo.
A luz voltou e um silêncio horrorizante tomou conta do salão.
Não o beijei, estava branca e quando olhei para baixo percebi o que havia acontecido. Coloquei as mãos sobre a barriga e o sangue começou a escorrer. Caí, enquanto Cadu me olhava com lágrimas nos olhos. Seu olhar me doía no fundo da alma. Tudo o que pude dizer naquele momento foi:
_ Eu te amo!
4 comentários:
Isso tah parecendo novela mexicana
kkkkkkkkkkkkkkk
Mas eu gosto de novela mexicana XD
Só q se ela morrer eu não assisto mais ¬¬
hauahauahaua
Parabéns EMO
Tah ficando legal XD
Uiaaaa... menina inspiradérrima!!! xD
Concordo com a Daiane... se ela morrer, eu não leio mais! hauahauhauahuaha
Beijo*
aaaah nem tah mto novela mexicana naaum
tah um poko vai shuahsuasausuausha
certeza q kinta fera eu to passando por aki pra ve essa vibe denovo
beeeejo sil
(LL)
Sil! Gostei bastante do seu jeito de escrever...um tanto descritivo, envolvente...continue assim!!
Vou ler o capítulo 2 agora..hahaha
Beijos!!
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